Enquanto dirigia, fiz um rápido exercício. Imaginei-me pai. Senti a responsabilidade que teria pela educação do meu filho. Ao mesmo tempo, senti medo por imaginar uma criança nascendo meio a um mundo cada vez mais louco. Junto a esse sentimento, veio-me, como um insight, um pensamento que me levou a outro caminho que irei explicar mais na frente.
É compreensível que os pais, “percebedores” desse ambiente inseguro, queiram garantir a proteção de sua prole e prover uma qualidade de vida melhor do que teve quando criança. Adiar, o quanto for possível, que os filhos tenham contato com as dificuldades da vida, de encarar o mundo como ele e de sofrer com esse choque.
A maior parte dos pais possui histórias tristes de sua infância/adolescência. Períodos difíceis que hoje servem como exemplo de superação. Mas o que não se pode ignorar é que esse momento doloroso serviu para sua formação. Não por um acaso os jovens demoram cada vez mais para amadurecer e a assumir responsabilidade. O que antigamente era uma obrigação precoce, atualmente é algo quase que opcional a maior parte das pessoas.
Sem menosprezar a importância dos pais para a vida e formação das crianças, mas quem na verdade nos ensina a viver é a vida e, por isso, não se deve privar alguém de viver, de experimentar.
Nunca deixamos de aprender, pois a vida sempre tem algo novo para nos ensinar. Neste mesmo plano estão nossos pais, também como alunos, que procuram tirar o maior proveito possível para ajudar que os menos experientes entendam como tudo funciona.
Permitam-me a analogia, mas a falta de percepção ou de aplicação faz com que alguns entendam a aula de forma errada e tornem-se péssimos multiplicadores do conhecimento, pessoas desestruturadas e pais despreparados.
A vida como um livro. Cada dia é como uma página virada que podemos ou não tirar proveito. Não existe um professor ou uma forma fácil de aprender. É necessária uma dose de esforço para interpretarmos cada nova experiência. As páginas viradas não voltam. Sempre que possível, devemos tirar algum proveito olhando no livro dos outros, desde que isso não tire a atenção da minha própria vida.
Particularmente, acho que meus pais foram preparados mais precocemente para vida do que eu. Sem dúvida, é confortável saber que posso contar com alguém a cada nova lição da vida e que me ajudarão a compreender por que as coisas acontecem assim. O porquê a vida é assim.